15. Museu de Salamanca

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O Museu de Salamanca foi inaugurado em 1848 com os objectos artísticos dos conventos suprimidos pela lei de desamortização de Mendizábel recolhidos pela Comissão Provincial de Monumentos.

Após deambular por diversas sedes, desde 1948 encontra-se instalado num edifício do séc. XV, conhecido como Palácio dos Álvarez Abarca. Do tipo de casa forte torreada medieval edificada em torno a um belo pátio, a rica ornamentação da fachada converte-a num dos monumentos mais representativos da arquitectura civil dos Reis Católicos de Salamanca, na qual se combinam as formas do último Gótico com as primeiras da Renascença. As salas da exposição permanente organizam-se em torno do pátio ligeiramente trapezoidal que consta de rés-do-chão e andar principal com galerias.

Nos anos oitenta, o edifício foi ampliado tendo sido incorporado um espaço ocupado por algumas casas vizinhas. Isto permitiu dotar o Museu de uma sala de exposições temporais, biblioteca, sala de estudo, oficina de restauração e pequenos armazéns. 

 

As actividades

                O Museu investiga, conserva, restaura e divulga o património cultural da província de Salamanca para lhe conferir projecção social mediante a exibição do seu acervo, a publicação de guias, catálogos e estudos monográficos, a organização de conferências, reuniões e actividades dirigidas a estudantes.

As colecções

                O acervo está organizado em três secções: Belas-Artes, Arqueologia e Etnologia.

                A colecção de Arte originada pela Desamortização completa-se com depósitos do Museu do Prado e do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, da Igreja e de artistas salamantinos contemporâneos, bem como obras doadas por particulares.

                A maior parte dos objectos arqueológicos procedem de prospecções ou escavações arqueológicas, enquanto os que formam a secção de Etnologia entraram no Museu, maioritariamente, mediante compras, embora nestas duas também se registem doações de particulares.

A visita

                A exposição de ARTE está instalada no edifício antigo.

                No saguão foi colocado um retábulo barroco churrigueresco realizado entre 1697 e 1704 por Bernardo de Carbajal com pinturas sobre tábua de algum pintor castelhano de meados do séc. XVI.

À volta da galeria inferior do pátio ordenam-se interessantes esculturas e elementos arquitectónicos do século XII ao século XVIII procedentes de edifícios desaparecidos da cidade. Este pátio dá acesso à sala I dedicada aos séculos XV e XVI. Nela foi adaptado um tecto mudéjar de armadura policromada do século XIV originário do Convento das Irmãs Dominicanas. Preside a sala um pequeno retábulo hispano-flamengo dedicado a Maria Madalena. Peças de singular valor são as tábuas de “Santo André”, de Juan de Flandes e o “Llanto por Cristo Muerto” [Pranto por Cristo Morto] de Luís de Morales.

As demais salas do térreo e da sobreloja: salas II, III, IV, e V estão vocacionadas à pintura barroca do século XVII. De referir, na sala II, duas grandes telas da Imaculada, uma delas de Andrea Vaccaro e outro atribuído a José Jimenéz Donoso. São interessantes também duas pinturas atribuídas a Pedro Orrente pertencentes à série de Jacó e Abraão. Na sala III merece destaque quadros da escola italiana: cópias de Corregio e Sassoferrato e, na sala V, destaca um escultura de S. João Baptista, obra de Estaban de Rueda.

A partir da galeria superior, onde podem ser contempladas esculturas de artistas contemporâneos, acede-se à sala VI, dedicada à pintura do século XVIII e XIX salvo dois quadros que se atribuem a Lucas Jordán. Destinou-se um espaço aos pintores locais Antonio Alonso Villamor e Simón Peti, representativos do modesto ambiente artístico local da época. De referir um magnifico crucifixo de marfim hispano-filipino, a estatueta de prata de “S. Miguel” de Dominico Antonio Vaccaro e “San Juan Shagún vestido de colegial” por Francisco Gutiérrez. Em matéria de mobiliário, são dignas de menção uma cadeiras tipo “cadeirinha”, em pele pintada do século XVIII, de procedência filipina.

Do século XIX podem ser apreciados um bom retrato por Frederico de Madrazo e algumas paisagens características por Carlos Haes, para além dos pintores locais Antonio Carnero e Vidal Gonzaléz Arenal, e dos nascidos na referida centúria com trajectória artística do século XX: retrato da “Marquesa del Paso de la Merced” [Marquesa do Paço da Mercê], por José Moreno Carbonero ou o famoso de “D. Miguel de Unamuno” por Juan de Echevarría; “El segoviano” por Ignacio Zuloaga e “A las doce” [Às doze] de Valentín Zubiaurre. Destacam, igualmente, as paisagens de Aurelio García Lesmes, Tomoteo Pérez Rubio e do salamantino Francisco Núñez Losada.

Nas salas VIII estão representados artistas contemporâneos com significativa presença dos salamantinos. De referir, a escultura de “Hipopótamo” de Matteo Hernandéz, natural de Béjar.

Uma colecção do acervo de ARQUEOLOGIA expõe-se de forma provisória e com abordagem didáctica numa das salas do edifício novo e alguns varrascos e estelas romanas foram instalados no jardim.

O acervo de ETNOLOGIA dá-se a conhecer através de mostras temporárias num pequeno espaço situado no térreo.

Estela Romana

Museu de Salamanca


Uma resposta to “15. Museu de Salamanca”

  1. Prezados Senhores
    Herdei uma obra de Iimóteo Perez Rúbio, da década de 1950, e um marchant de uma galeria de arte esté interessado em sua aquisição. Seria possível informar qual a avaliação de uma obra desse renomado pintor, tratando-se de um retrato de uma mulher?
    grata

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